O espetáculo cênico musical infantojuvenil “INFINITO” estreia na Sala do Coro do Teatro Castro Alves, em Salvador, entre sábado (02/11/2024) e domingo (10/11), com apresentações aos sábados e domingos, às 16h. A produção é resultado da colaboração entre o coreógrafo Márcio Fidélis e o diretor de teatro Guilherme Hunder, que se uniram para explorar a temática da passagem do tempo e da morte de forma poética e acessível ao público jovem. A montagem é uma iniciativa da Márcio Fidélis Cia de Dança, com assistência coreográfica do bailarino Kenuu Alves.
A narrativa do espetáculo gira em torno de Tayó, um menino que possui uma forte ligação com sua avó. A morte da avó desencadeia uma jornada de memórias e conexões com o plano ancestral, durante a qual Tayó encontra figuras mágicas inspiradas nas manifestações populares. Estas figuras o guiarão na compreensão do infinito e dos mistérios relacionados à morte, alinhando a proposta cênica às tradições da cosmogonia yorubá-nagô.
A obra “INFINITO” incorpora elementos da cultura popular e das tradições afrodiaspóricas, utilizando folguedos como referência. Os Mandus, Os Zambiapungas e as Caretas do Mingal são algumas das manifestações que influenciam a coreografia e a visualidade do espetáculo, que busca trazer à tona um diálogo entre a dança contemporânea e as danças tradicionais. Márcio Fidélis enfatiza que a obra representa uma integração de diversas linguagens artísticas, sendo a musicalidade e a dramaturgia criadas por Mônica Santana fundamentais para a construção da narrativa.
A coreografia é inspirada em contos yorubás e inclui elementos como a dança da travessia, associando-se às lendas da deusa Iansã. O espetáculo propõe uma reflexão sobre a vida e a morte, ressaltando que a morte não deve ser vista como um fim, mas como parte de um ciclo contínuo. Guilherme Hunder, que também assina o figurino da obra, afirma que o conceito de infinito é central para a construção da narrativa, que busca desmistificar a morte, especialmente em um contexto onde o tema é frequentemente silenciado.
A encenação é enriquecida por uma trilha sonora original, composta por Filipe Pires e com música assinada por Ray Gouveia. Além da dança, o espetáculo incorpora diálogos curtos e textos gravados, interseccionando com a linguagem teatral. Esta abordagem multidisciplinar visa atingir a diversidade de interpretações e sensibilidades do público infantojuvenil.
A Márcio Fidélis Cia de Dança, fundada em 2021, tem como objetivo promover o desenvolvimento e a visibilidade de artistas da dança na Bahia, com uma proposta que une o popular e o contemporâneo. O espetáculo “INFINITO” foi contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura, em consonância com a Lei Paulo Gustavo.


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