Especialista explica como a vacinação contra o HPV pode reduzir casos de câncer no Brasil

O mês de outubro é tradicionalmente dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, mas também proporciona uma oportunidade para abordar a prevenção de outros tipos de câncer, como o câncer de colo de útero. Segundo uma pesquisa nacional realizada pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), a taxa de infecção pelo HPV (papiloma vírus humano) é alarmante, atingindo 54,4% das mulheres que já iniciaram a vida sexual e 41,6% dos homens. Para o Dr. Fábio Argenta, diretor médico da Saúde Livre Vacinas, a vacinação é uma das ferramentas mais eficazes na medicina moderna. Além de proteger contra infecções, a imunização desempenha um papel importante na prevenção de determinados tipos de câncer.

Dr. Argenta explica que diversas formas de câncer estão associadas a infecções virais, bacterianas e parasitárias. Essas infecções podem induzir mutações celulares ou criar um ambiente que favoreça o desenvolvimento de tumores malignos. “Ao prevenir essas infecções por meio da vacinação, reduz-se o risco de aparecimento de alguns tipos de câncer”, afirma o especialista.

Um dos maiores avanços na prevenção do câncer foi a introdução da vacina contra o HPV. Esse vírus é o principal responsável pelo câncer de colo de útero, que se destaca como um dos tipos mais comuns entre mulheres, especialmente em países em desenvolvimento. Além disso, o HPV está associado a outros tipos de câncer, incluindo câncer de garganta, ânus, pênis e vulva.

O Dr. Argenta ressalta que a vacinação contra o HPV está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) em uma dose, focando na população com idade entre 9 e 14 anos, além de pessoas com HIV, transplantados de órgãos sólidos, pacientes de medula óssea e pacientes oncológicos até 45 anos. A vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, dos mais de 200 subtipos do HPV. O médico enfatiza que, mesmo após o início da vida sexual, a vacina continua a ter efeito preventivo. Aqueles que não se enquadram nos critérios do SUS podem optar pela imunização em clínicas particulares, que oferecem a vacina nonavalente, abrangendo mais cinco tipos do vírus: 31, 33, 45, 52 e 58. A cobertura vacinal é destinada a todas as pessoas entre 9 e 45 anos, sendo duas doses recomendadas para indivíduos de 9 a 19 anos e três doses para aqueles de 20 a 45 anos. Acima dessa faixa etária, é necessária prescrição médica.

Desde o ano passado, a rede da Saúde Livre Vacinas aplicou mais de seis mil doses do imunizante. A vacinação não apenas protege os indivíduos imunizados, mas também contribui para a proteção das comunidades, criando uma barreira de imunidade coletiva. “O mês de outubro destaca a importância do autocuidado e abre espaço para discutir possibilidades de prevenção que podem fazer uma diferença significativa”, conclui Dr. Argenta.


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