Na terça-feira (03/09/2024), a atleta paralímpica Jerusa Geber, do Acre, conquistou a medalha de ouro nos 100 metros da classe T11 (deficiência visual) durante uma competição internacional. Jerusa, de 42 anos, completou a prova com o tempo de 11s83, superando a chinesa Cuiqing Liu, que terminou com a medalha de prata ao registrar 12s04, e a paranaense Lorena Spoladore, que ficou com o bronze após cronometrar 12s14. Esta conquista marca a primeira vez que Jerusa alcança o primeiro lugar no pódio em um evento paralímpico de grande porte, após já ter obtido duas medalhas de prata e dois bronzes em edições anteriores dos Jogos Paralímpicos (Pequim 2008, Londres 2012 e Tóquio 2020).
Na semifinal, Jerusa Geber estabeleceu um novo recorde mundial com o tempo de 11s80, superando sua própria marca anterior de 11s83, que havia sido registrada no Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo. Apenas quatro velocistas cegas na história conseguiram completar a prova dos 100 metros em menos de 12 segundos, incluindo Jerusa, as chinesas Cuiqing Liu e Guohua Zhou, e a britânica Libby Clegg. Outras duas atletas brasileiras, Lorena Spoladore e Terezinha Guilhermina, também chegaram próximas a essa marca.
Jerusa Geber tem consolidado sua carreira como uma das principais velocistas da classe T11, especialmente no último ciclo paralímpico. Além da medalha de bronze nos 200 metros nos Jogos de Tóquio 2020, ela conquistou ouro nos 100 e 200 metros no Mundial de Paris 2023, ouro nos 100 e 200 metros nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023, e ouro nos 100 metros e bronze nos 200 metros no Mundial de Kobe 2024.
Jerusa nasceu completamente cega devido a glaucoma congênito e passou por várias cirurgias ao longo da vida, que lhe permitiram enxergar parcialmente até perder totalmente a visão aos 18 anos. Ela foi introduzida ao esporte paralímpico aos 19 anos, a convite de um amigo também deficiente visual.
Lorena Spoladore, por sua vez, obteve sua terceira medalha paralímpica com o bronze nos 100 metros. Ela já havia conquistado uma prata no revezamento 4×100 metros e um bronze no salto em distância nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Lorena perdeu gradualmente a visão devido a glaucoma congênito e ficou totalmente cega aos seis anos de idade.
*Com informações da Agência Brasil.


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