Na segunda-feira (02/09/2024) o triatlo paralímpico ocorreu em Paris com temperaturas agradáveis de 23°C. A competição teve início na ponte Alexandre III, passando por uma série de pontos icônicos da capital francesa, incluindo o Grand Palais e a avenida Champs-Élysées. A prova consistiu em 750 metros de natação no rio Sena, seguidos de 20 quilômetros de ciclismo e 5 quilômetros de corrida.
O atleta brasileiro Ronan Cordeiro, de Curitiba, conquistou a medalha de prata na categoria masculina, voltada para atletas com deficiência físico-motora. Cordeiro, que nasceu com uma má formação congênita na mão esquerda, tem se dedicado ao triatlo desde 2018, após uma carreira anterior na natação. Em entrevista à RFI, Cordeiro destacou os desafios enfrentados nos últimos dois anos, incluindo períodos prolongados longe de sua família. “Esses dois últimos anos, eu fiquei quase dez meses fora do Brasil, longe da minha família, mas eu tinha uma missão de quebrar esse paradigma”, afirmou.
A prova teve início às 12h20 no horário local (07:20h em Brasília). Cordeiro, que começou sua carreira como nadador, foi bem-sucedido na etapa de natação, terminando os 750 metros em 10 minutos e 52 segundos, ocupando a segunda posição. No ciclismo, após liderar por 9 quilômetros, foi ultrapassado pelo canadense Daniel Stefan e terminou a etapa em quarto lugar. Durante a corrida, Cordeiro iniciou bem, mas foi superado pelo americano Chris Hammer, que concluiu a prova em 58 minutos e 44 segundos. Cordeiro finalizou a competição com um tempo de 59 minutos e 1 segundo. Em sua entrevista, ele expressou sua frustração e desejo de voltar mais forte no próximo ano.
O atleta também discutiu as dificuldades financeiras enfrentadas por competidores de sua classe. “O triatlo é um esporte injusto”, afirmou Cordeiro, referindo-se ao custo elevado do equipamento necessário. “Na minha classe, o atleta que tem o material mais barato tem uma bicicleta de R$ 120 mil. Eu deixei de nadar porque eu não sou talentoso e apanhava feio na natação. Mas tive pessoas que acreditaram em mim, venci uma depressão e tudo valeu a pena.”
Outros brasileiros também participaram da competição. Letícia de Oliveira Freitas, de São Bernardo do Campo, competiu na categoria PTV1 para atletas com deficiência visual. Ela foi acompanhada pela guia Giovanna Alves Opiari. Freitas, que iniciou no triatlo em 2020 após uma carreira no vôlei e natação, enfrentou dificuldades, terminando a prova em nono lugar com um tempo de 1 hora, 11 minutos e 20 segundos. Em sua análise, ela mencionou problemas de comunicação e dificuldades durante o percurso. “Foi bem emocionante… Eu queria ter ficado em quinto”, comentou.
A guia Giovana Opiari também compartilhou suas experiências. “Na natação, o grande desafio foi a correnteza do Sena, que estava super forte”, disse. “Como eu sou a guia, a responsabilidade é minha.”
Na categoria PTWC do triatlo feminino, a brasileira Jéssica Messali enfrentou problemas com sua cadeira de rodas e foi forçada a abandonar a competição.
*Com informações da RFI.


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