O Brasil registrou um recorde histórico de internações de bebês menores de um ano por problemas respiratórios em 2023, segundo levantamento do Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância), uma iniciativa da Fiocruz e Unifase. No total, foram contabilizadas 152.951 hospitalizações por pneumonia, bronquite e bronquiolite no Sistema Único de Saúde (SUS), um aumento de 24% em relação ao ano anterior.
O estudo utilizou dados do Sistema de Internações Hospitalares do SUS de 2008 a 2024 e destacou que 2023 teve o maior número de internações dos últimos 15 anos. O pesquisador Cristiano Boccolini, do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz (Icict/Fiocruz), observou que, após uma queda significativa nas hospitalizações durante o primeiro ano da pandemia de Covid-19 em 2020, os números vêm subindo anualmente, com um aumento de 30 mil internações entre 2022 e 2023.
Boccolini aponta a baixa cobertura vacinal infantil e as mudanças climáticas como principais fatores para o aumento das internações. Ele destacou a importância da vacinação de gestantes contra influenza e Covid-19, que ajuda a fortalecer a imunidade dos bebês.
O estudo revelou que o SUS gastou R$ 154 milhões em 2023 com os cuidados dos bebês internados, um aumento de R$ 53 milhões em comparação com 2019. As regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram as maiores taxas de internação devido a condições climáticas adversas, como frio intenso e queimadas.
A baixa adesão à vacinação contra Covid-19 para bebês a partir de seis meses também foi mencionada como um fator crítico, já que a infecção pelo vírus pode facilitar o desenvolvimento de outras doenças respiratórias. Boccolini enfatizou a necessidade de aumentar a cobertura vacinal para prevenir futuras internações.


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