Nordeste lidera em casos de choque elétrico no Brasil a falta de dispositivos de segurança é preocupação crescente

O Brasil registrou 2.089 acidentes elétricos em 2023, um aumento significativo em comparação aos 1.828 casos de 2022, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos de Eletricidade (Abracopel). O Nordeste lidera esses tristes números com 29,5% dos acidentes, seguido pelo Sul e Sudeste.

Dos acidentes registrados, 674 foram causados por choque elétrico, 67 por incêndios devido à sobrecarga de energia e 40 por raios. Redes aéreas e residências são os locais mais comuns para esses incidentes, sendo que muitos acidentes domésticos são atribuídos a fios desprotegidos, eletrodomésticos e manutenção inadequada. Entre os acidentes domésticos, destacam-se 37 mortes causadas por fios desprotegidos, 31 por eletrodomésticos e 24 devido à manutenção doméstica inadequada.

A região Nordeste teve 291 acidentes, resultando em 218 óbitos. Em termos de óbitos por região, o Nordeste é seguido pelo Sul (136), Sudeste (118), Centro-Oeste (94) e Norte (108). Fabio Amaral, sócio-diretor da Engerey, destaca a importância do Dispositivo Diferencial Residual (DR), que poderia evitar muitos desses acidentes, mas está presente em apenas 27% das edificações no país. “A falta de fiscalização e consciência sobre a utilização do DR nas instalações elétricas é preocupante,” alerta Amaral.

Vinicius Ayrão Franco, presidente da Abracopel, chama atenção para a necessidade de seguir medidas de segurança, como desligar a fonte de alimentação antes de fazer reparos, usar equipamentos de proteção e garantir que as instalações estejam em boas condições. Ele também aponta que, embora tenha havido uma leve redução de 3,3% nas fatalidades por choques elétricos nos últimos cinco anos, o número total de acidentes aumentou 7,2%.

Marco A. Stoppa, da Reymaster Materiais Elétricos, reforça a necessidade de selecionar adequadamente os materiais elétricos e realizar manutenções regulares. “Investir em prevenção é crucial para a segurança e eficiência das instalações elétricas residenciais,” afirma Stoppa.

A maioria dos acidentes por choque elétrico envolve pessoas de 31 a 40 anos, seguidas pelas faixas etárias de 41 a 50 anos e 51 a 60 anos. Acidentes elétricos ocorrem principalmente em ambientes de trabalho, destacando a importância da experiência e da segurança.

Para Amaral e Stoppa, é essencial investir em campanhas educativas e medidas de prevenção para reduzir os acidentes elétricos. O uso do DR, a manutenção adequada e a seleção correta de materiais elétricos são fundamentais para garantir a segurança das instalações elétricas.


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