Teatro Goethe-Institut é palco de estreia do solo de dança “Dona de Si”

O solo de dança “Dona de Si”, da bailarina Maju Passos, terá sua estreia no Teatro Goethe-Institut em Salvador, nos dias 18 e 19 de junho, às 19h. O espetáculo, dirigido por Edileuza Santos e com assistência de Sueli Ramos, é inspirado no itan “Oyá transforma-se em Búfalo” do livro “Mitologia dos Orixás”, de Reginaldo Prandi, e no livro “Tornar-se negra”, de Neusa Santos Souza. A apresentação aborda a trajetória de empoderamento da artista após a maternidade, enfrentando estruturas sociais machistas e racistas.

Maju Passos explica que “Dona de Si” é uma dança rito que evidencia seu corpo e suas histórias, partilhando com o público seu processo de superação. Ela destaca que a maternidade de uma criança branca a fez buscar e assumir uma parte de si antes oculta. A diretora artística Edileuza Santos reforça que o espetáculo é um caminho de resistência e luta, comum a muitas mulheres negras, e que a busca pela ancestralidade é essencial para lidar com os desafios de ser mulher.

O itan “Oyá transforma-se em Búfalo” é central na narrativa do espetáculo. Nele, Iansã esconde sua pele de búfalo para passear como mulher, mas ao retornar não a encontra e se sente perdida, até encontrar Ogum, que promete cuidado, mas mantém a pele sob sua custódia. Maju Passos relaciona essa história com a realidade social, onde a “pele de búfala” simboliza a identidade e autonomia frequentemente controladas por figuras de autoridade.

O espetáculo também homenageia a avó de Maju, Dona Bernadeth, mãe solo de três mulheres, que deu nome ao solo. A avó, que completa 97 anos na estreia, é um exemplo de resistência e independência, sustentando a família sem a necessidade da figura masculina. Maju Passos reflete sobre como sua trajetória é formada pelas mulheres negras que a influenciaram, destacando a importância da representatividade em sua formação.

“Dona de Si” faz parte da pesquisa de mestrado de Maju Passos no Programa de Pós-Graduação em Dança da Universidade Federal da Bahia (PRODAN), que explora a maternidade como dispositivo de criação e a dança como tecnologia ancestral de conexão com o próprio corpo e história. O solo combina a leveza do clássico, o movimento contínuo de Oyá e a urbanidade da dança contemporânea.

A trajetória artística de Maju inclui obras como “Donna”, “À Vista”, “Funda”, o filme “Evocar” e “Passos”, todas explorando a identidade, dor, amor e conexão com a natureza. “Dona de Si” é um convite à reflexão sobre a resistência e a transformação pessoal, celebrando a autonomia e a força das mulheres.


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