A aplicação de inteligência artificial (IA) no setor de turismo está mudando significativamente a forma como as viagens são planejadas e realizadas. Especialistas afirmam que essa tecnologia veio para ficar, abrindo novas possibilidades para os viajantes, especialmente no que se refere ao planejamento de suas jornadas.
Um exemplo prático dessa revolução pode ser visto na experiência cotidiana de um turista que deseja planejar um passeio de bicicleta. “Quero andar de bicicleta amanhã e partir de um determinado local. O passeio deve durar no máximo três horas e oferecer às crianças oportunidade para brincar ao longo do caminho. Depois, quero tomar sorvete.” Essa solicitação simples, que ainda é difícil de ser atendida por meio de buscas tradicionais na internet, está se tornando viável com a IA. Segundo Michael Prange, professor de ciência de dados da Universidade de Kiel, “as informações do Google são muitas vezes incompletas ou desatualizadas.”
Prange acredita que a inteligência artificial facilitará cada vez mais o planejamento de viagens, permitindo que todos tenham um guia de viagens inteligente no bolso, acessível via aplicativos no celular. No entanto, ele ressalta que o bom funcionamento desses sistemas depende da qualidade dos dados acessíveis. “Os dados são a base”, afirma.
O Centro de Turismo Alemão (DZT) está trabalhando na criação de uma base de dados padronizada para o turismo no país. Petra Hedorfer, CEO do DZT, destaca que plataformas globais de vendas de viagens já utilizam IA para oferecer opções turísticas personalizadas aos clientes, desde que os dados sejam processados adequadamente.
Tobias Blask, professor da Universidade de Ciências Aplicadas de Harz, também enfatiza a importância de uma base de dados robusta para aplicativos de IA. Ele observa que as agências de atividades turísticas e destinos precisam otimizar e disponibilizar seus dados para serem notados. “A IA influenciará tudo em nossa sociedade,” diz Blask, prevendo que turistas terão um “companheiro de viagem para toda a vida,” que faz sugestões com base em decisões e interações anteriores.
A implementação de IA no turismo não é nova. Hotéis, plataformas de reservas e companhias aéreas já utilizam sistemas de aprendizado de máquina para definição de preços e chatbots para atendimento ao cliente. A DZT, por exemplo, utiliza chatbots que respondem às perguntas dos clientes 24 horas por dia, liberando os funcionários de tarefas rotineiras.
Eric Horster, professor de Turismo Internacional da West Coast University, observa que a IA já é usada em gestão de destinos. Na Baía de Lübeck, sensores monitoram o número de banhistas para evitar superlotação e prever a utilização futura das praias. Isso proporciona benefícios tanto para os turistas quanto para os negócios locais, que obtêm informações valiosas sobre o comportamento dos visitantes.
Apesar das vantagens, Horster questiona se a IA mudará radicalmente a forma como viajamos. Ele destaca que o turismo também depende do contato humano e do inesperado. “Será esse o futuro das viagens, saber tudo com antecedência e ter tudo planejado? Faz parte da experiência sair de bicicleta por aí a procurar uma sorveteria aberta.”
A discussão sobre o papel da inteligência artificial no turismo continua, mas é claro que a tecnologia já está impactando o setor e promete transformar ainda mais a experiência de viagem nos próximos anos.
*Com informações da Agência DW.


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