A economia brasileira registrou um crescimento de 2,5% no primeiro trimestre de 2024 em comparação com o mesmo período de 2023, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (04/06/2024). Em relação ao último trimestre de 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou um aumento de 0,8%, alcançando R$ 2,7 trilhões.
No acumulado de 12 meses, o crescimento da economia do país manteve-se em 2,5%. A análise setorial mostra que a indústria e os serviços cresceram 2,8% e 3%, respectivamente, em comparação ao mesmo período do ano passado. No entanto, a agropecuária registrou uma queda de 3%.
Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, explicou que fatores climáticos, especialmente o fenômeno El Niño, impactaram negativamente a agropecuária, apesar do crescimento na pecuária. A queda na produção agrícola de produtos como soja, milho, fumo e mandioca contribuiu para o desempenho negativo do setor.
A indústria teve um crescimento significativo, influenciado pelas indústrias extrativas, que registraram um aumento de 5,9%, impulsionado pela extração de petróleo, gás e minério de ferro. Houve também destaque nas atividades de eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos, que cresceram 4,6%, especialmente devido ao consumo residencial.
O consumo das famílias cresceu 4,4%, enquanto as despesas do governo aumentaram 2,6% em comparação com o primeiro trimestre de 2023. A Formação Bruta de Capital Fixo, que indica o nível de investimento na economia, avançou 2,7%. As exportações cresceram 6,5%, enquanto as importações aumentaram 10,2%.
Rebeca Palis contextualizou que, ao contrário dos anos anteriores, o setor externo teve uma contribuição negativa neste trimestre, com as importações crescendo mais do que as exportações. Esse aumento nas importações foi impulsionado pela compra de máquinas, equipamentos e bens intermediários, juntamente com a valorização do Real.
No primeiro trimestre de 2024, a taxa de investimento foi de 16,9% do PIB, abaixo dos 17,1% registrados no mesmo período de 2023. Em termos de capacidade de reajuste de preços, a pesquisa indicou que 38% dos empresários não conseguiram efetuar reajustes, enquanto 18% reajustaram abaixo da inflação e 34% acompanharam a inflação.
Em comparação com o trimestre anterior, a alta de 0,8% representa uma recuperação após o recuo de 0,1% no final de 2023. O setor de serviços foi o principal responsável pela variação positiva, com um crescimento de 1,4%, destacando-se o comércio varejista, os serviços pessoais, e as atividades relacionadas à internet e desenvolvimento de sistemas.
Rebeca Palis ressaltou que o crescimento econômico deste trimestre foi totalmente baseado na demanda interna, com o consumo das famílias impulsionado pela melhoria no mercado de trabalho, taxas de juros e inflação mais baixas, além dos programas governamentais de auxílio.
A taxa de poupança no primeiro trimestre de 2024 foi de 16,2%, ante 17,5% no mesmo período de 2023. O PIB acumulado nos quatro trimestres encerrados em março de 2024 cresceu 2,5%, com altas na agropecuária (6,4%), na indústria (1,9%) e nos serviços (2,3%).
Os dados divulgados nesta terça-feira ainda não refletem o impacto da tragédia climática causada pelas chuvas no Rio Grande do Sul em abril e maio. Rebeca Palis explicou que esses efeitos só serão visíveis nas pesquisas mensais referentes ao período, considerando que o estado representa cerca de 6,5% do PIB nacional.
*Com informaçōes na Agência Brasil.



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