Movimento Hip-Hop da Bahia estabelece comissão para diálogo com entes públicos

Representantes do movimento hip-hop de 19 municípios da Bahia se reuniram na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) na segunda-feira (27/05/2024) para uma audiência pública promovida pela Ouvidoria Cidadã da Defensoria Pública da Bahia (DPE/BA). O encontro resultou na decisão de criar uma comissão estadual para dialogar com entes públicos sobre formas de fomento e valorização da cultura hip-hop.

O evento, intitulado “Proteção, Garantia e Promoção Hip-Hop”, foi realizado em parceria com a Construção Nacional do Hip-Hop, seção Bahia, e contou com mais de quatro horas de discussões. A audiência foi o culminar de várias reuniões virtuais e presenciais com a comunidade hip-hop do estado, coordenadas pela Ouvidoria da DPE/BA.

Naira Gomes, ouvidora-geral da DPE/BA, destacou a importância de fomentar espaços culturais nas comunidades impactadas pela guerra às drogas. “As mortes de jovens negros não se resumem à física. Antes disso, ocorre a morte simbólica pela interdição de acesso à educação, cultura e direitos. Após isso, a morte física se torna um desfecho natural”, afirmou Naira.

A criação da comissão estadual, conforme Naira, é um passo fundamental para o fortalecimento da cultura hip-hop na Bahia, pois permitirá a unificação dos pleitos do movimento. A Ouvidoria da DPE/BA será um dos órgãos constituintes da estrutura da comissão, oferecendo suporte e garantindo o protagonismo do movimento.

Udi Santos, rapper e co-presidente da audiência pública, reforçou a importância da criação da comissão para o fortalecimento do hip-hop no estado. No ano anterior, foram criados grupos temáticos junto com a Construção Nacional do Hip-Hop, incluindo um Grupo de Trabalho Parlamentar, que facilitou o diálogo com autoridades e a Defensoria Pública para a criação de políticas públicas duradouras.

Firmiane Venâncio, defensora-geral da DPE/BA, reafirmou o compromisso da instituição com o movimento hip-hop, destacando a conexão entre os propósitos da Defensoria e do movimento. “A Defensoria Pública existe para caminhar junto com aqueles que foram excluídos pelo sistema”, declarou Firmiane.

Além da defensora-geral, o evento contou com a presença das deputadas Fabíola Mansur e Olívia Santana, da coordenadora do Escritório da Unicef em Salvador, Helena Oliveira Silva, e de representantes do Ministério da Cultura e de diversas secretarias estaduais, incluindo Cultura, Política para Mulheres, Promoção da Igualdade Racial, Emprego, Trabalho e Renda. Todos se comprometeram com as demandas apresentadas pelo movimento hip-hop.

Dados apresentados pelo MC Gold CBX durante a audiência indicam que a Bahia é o sétimo estado brasileiro que mais consome hip-hop. Contudo, ele criticou a falta de suporte técnico e equipamentos para produzir música em nível competitivo com o eixo Rio-São Paulo. Gold CBX enfatizou que o hip-hop deve ser reconhecido como uma expressão da economia criativa, gerando renda para diversos profissionais, além de MCs e DJs.

MC Jotta D ressaltou o impacto positivo do hip-hop nas comunidades, apontando que o movimento pode contribuir para áreas como segurança pública, saúde e cultura, se houver reconhecimento e apoio adequados por parte do poder público.

A audiência pública foi um passo significativo para o fortalecimento do movimento hip-hop na Bahia, promovendo um diálogo construtivo entre os representantes culturais e os entes públicos, com o objetivo de criar políticas que sustentem e valorizem a cultura hip-hop no estado.


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