A Companhia de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) apresenta a comédia “Homem é Homem”, de Bertolt Brecht, no Teatro Martim Gonçalves, em Salvador. O espetáculo, dirigido por Caio Rodrigo e Pedro Benevides, é a 59ª montagem do grupo e será exibido na sexta-feira (17/05/2024) a domingo (02/06), às 19h, com entrada gratuita mediante distribuição de senhas uma hora antes da apresentação.
Escrita e reescrita por Brecht ao longo de três décadas, a versão final de “Homem é Homem” foi publicada em 1953. A trama gira em torno de Galy Gay, um estivador que, ao sair para comprar um peixe, é persuadido a assumir a identidade de um soldado no exército colonial inglês. A história explora a transformação de Galy Gay, destacando a facilidade com que um indivíduo pode ser moldado pelas forças externas, principalmente pela manipulação social e autoritarismo.
A encenação de Caio Rodrigo e Pedro Benevides enfatiza a crítica de Brecht ao mercado de trabalho e à ilusão de ascensão social por meio do empreendedorismo. O espetáculo sugere que, sem uma compreensão clara de sua realidade e do ambiente em que vive, um homem pode ser facilmente substituído por outro. A montagem também propõe uma reflexão sobre a importância de uma educação que capacite as pessoas a compreender e intervir nas estruturas sociais, promovendo uma participação mais consciente e coletiva nos processos de transformação.
Os diretores utilizaram estratégias que reforçam a atualidade do texto, mantendo o distanciamento brechtiano do cenário narrativo, permitindo que o público faça associações livres com a realidade contemporânea. A influência de imagens midiáticas e a situação política recente do Brasil foram determinantes na concepção da montagem, destacando a relevância contínua dos temas investigados por Brecht, como as dinâmicas de comportamento na guerra e no militarismo.
“Homem é Homem” conta com a participação de atores experientes, como Hebe Alves e Lúcio Tranchesi, e uma nova geração de atores da Escola de Teatro da UFBA. A montagem é um projeto de extensão acadêmica que promove trocas entre diferentes gerações de artistas, enriquecendo a experiência tanto para o elenco quanto para o público. Os diretores destacam que o processo colaborativo e compartilhado resultou em uma síntese criativa que talvez não fosse alcançada individualmente.
A peça busca não apenas entreter, mas também provocar uma reflexão crítica sobre temas sociais e políticos, mantendo-se fiel ao estilo de Brecht. A abordagem colaborativa e o diálogo entre diferentes visões e experiências tornaram o processo de criação dinâmico e repleto de ideias inovadoras, enfrentando os desafios da montagem com conhecimento técnico e criatividade.


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