No Brasil, as doenças inflamatórias intestinais (DIIs) vêm apresentando um aumento significativo na incidência, afetando principalmente homens e mulheres entre 15 e 40 anos, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Coloproctologia. O maior estudo realizado no Brasil sobre essa enfermidade, com mais de 212 mil pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), apontou que em um período de nove anos a prevalência das doenças inflamatórias intestinais aumentou 15% ao ano, chegando a 100 casos para cada 100 mil habitantes. Essas doenças crônicas e imunomediadas têm origem no próprio organismo, desencadeando uma resposta inflamatória anormal após exposição a determinados gatilhos.
Para conscientizar a sociedade sobre as DIIs e promover um diagnóstico precoce, a indústria, os pacientes e os médicos desempenham um papel fundamental. Segundo a médica gastroenterologista Dra. Paula Senger, do Centro de Cirurgia, Gastroenterologia e Hepatologia (CIGHEP), é essencial identificar os sintomas precocemente e buscar o tratamento adequado para garantir maior sucesso no tratamento. “A doença inflamatória intestinal é uma condição crônica e progressiva, caracterizada por ativações imunes e consequentes inflamações no trato gastrointestinal. As principais são a retocolite ulcerativa e a Doença de Crohn”, explica a especialista.
Enquanto a retocolite ulcerativa afeta exclusivamente o intestino grosso, a doença de Crohn pode acometer todo o trato gastrointestinal, desde a boca até o final do intestino, sendo mais comum no intestino delgado e grosso. Os sintomas mais comuns das DIIs incluem dor abdominal e diarreia, sangramento nas fezes, emagrecimento, anemia e febre. Na doença de Crohn, podem ocorrer também fístulas e abcessos perianais. O diagnóstico das DIIs é realizado por meio de uma combinação de sintomas clínicos, exame físico e exames complementares, como análises de sangue, fezes, colonoscopia, ressonância magnética ou tomografia específica para o intestino.
A gastroenterologista ressalta que o diagnóstico precoce é crucial, pois interfere diretamente na resposta ao tratamento e na prevenção de complicações relacionadas à doença. “Uma vez que existe suspeita de doença inflamatória intestinal, é muito importante buscar um especialista para um diagnóstico preciso e iniciar o tratamento o mais cedo possível”, enfatiza a Dra. Paula Senger.
Embora o tratamento clínico seja a primeira abordagem, a cirurgiã e coloproctologista, Dra. Mariane Savio, também especialista em doenças inflamatórias intestinais no CIGHEP, destaca que em alguns casos pode ser necessária a intervenção cirúrgica, especialmente em pacientes com doença de Crohn. “Mais da metade dos pacientes com doença de Crohn precisarão de algum procedimento cirúrgico em algum momento da vida, seja para a remoção de partes do intestino ou para tratar complicações na região perianal”, ressalta a médica.
No entanto, a cirurgiã enfatiza que o tratamento cirúrgico não significa o fim do tratamento, mas sim um importante passo para atingir a remissão da doença. Acompanhamento médico regular é essencial para monitorar a resposta ao tratamento e realizar ajustes, se necessário. Ela também ressalta que a abordagem multidisciplinar, com a participação de gastroenterologistas e coloproctologistas, é fundamental para o sucesso no tratamento das DIIs.


Deixe um comentário