Apenas 22% dos brasileiros com mais de 10 anos de idade desfrutam de condições satisfatórias de conectividade, conforme revelado por um estudo recente. Embora o acesso à internet esteja próximo da universalização no país, 33% da população se encontra no nível mais baixo do índice que mede a conectividade significativa, enquanto 24% ocupam a faixa intermediária. Estas desigualdades são mais acentuadas entre os pretos e pardos, nas classes D e E, bem como nas regiões Norte e Nordeste, além das cidades menores.
Os dados provêm de um estudo inédito intitulado “Conectividade Significativa: propostas para medição e o retrato da população no Brasil”, lançado pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), braço executivo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Este estudo avaliou a qualidade e efetividade do acesso da população às tecnologias digitais com base em variáveis como custo da conexão, uso diversificado de dispositivos, tipo e velocidade de conexão e frequência de uso da internet.
A análise dos dados por autodeclaração de cor ou raça revelou disparidades adicionais. Enquanto 32% dos brancos desfrutam da melhor faixa de conectividade significativa, apenas 18% dos pretos e pardos alcançam esse patamar. As diferenças também se refletem nas classes sociais, com a maioria da classe A (83%) desfrutando de conectividade significativa, enquanto apenas 1% da classe D e E está na mesma faixa.
As regiões Norte e Nordeste apresentam as piores condições de conectividade significativa, com apenas 11% e 10%, respectivamente, na faixa mais alta, em contraste com 27% e 31% nas regiões Sul e Sudeste. Além disso, a análise por faixa etária revelou uma maior vulnerabilidade à exclusão digital entre os idosos, enquanto os mais jovens não necessariamente desfrutam de melhores indicadores.
Apesar da redução na disparidade entre os grupos de diferentes níveis de conectividade ao longo dos anos, ainda há muito a ser feito para alcançar uma distribuição mais equitativa do acesso à internet. As políticas públicas devem ser orientadas pelas dimensões de custo acessível, acesso a dispositivos, qualidade da conexão e ambientes de uso, para garantir que todos os cidadãos tenham oportunidades iguais de aproveitar os benefícios da conectividade.


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