Relatório do Ministério da Saúde revela aumento no consumo de álcool em 2023

O consumo de álcool é uma questão de saúde pública que afeta milhões de indivíduos globalmente, representando um desafio silencioso e persistente. Segundo dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), no Brasil, uma dose padrão de bebida alcoólica é definida como 14g de álcool puro, o que corresponde a 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 45 ml de bebidas destiladas, como vodca, uísque, cachaça, gin e tequila, entre outras.

De acordo com o mais recente levantamento realizado pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), vinculada ao Ministério da Saúde (MS), o consumo abusivo de álcool é caracterizado quando homens ingerem cinco ou mais doses, e mulheres consomem quatro ou mais doses em uma única ocasião no período de um mês.

Os resultados alarmantes deste estudo indicam um aumento significativo no consumo excessivo de álcool entre os anos de 2021 e 2023. O índice saltou de 18,4% para 20,8% nesse período, com um aumento ainda mais acentuado entre os homens, passando de 25% para 27,3%, e entre as mulheres, de 12,7% para 15,2%.

O levantamento, que entrevistou mais de 20 mil pessoas em todo o país no ano de 2023, revelou dados preocupantes sobre o consumo de álcool. Salvador despontou como a cidade com maior índice de consumo, com 28,9% das respostas indicando o consumo de níveis acima do recomendado. Por outro lado, em Manaus, apenas 12,6% dos entrevistados admitiram ter ultrapassado os limites.

Quanto aos locais com maior frequência de consumo entre os homens, destacam-se Salvador (37,5%), Maceió (34,2%) e Teresina (33%), enquanto as menores taxas foram registradas em Manaus (17,1%), Rio Branco (18,3%) e Natal (20,8%). Já entre as mulheres, os maiores índices foram observados em Salvador (21,9%), Porto Alegre (20,7%) e no Distrito Federal (20,5%), com as menores taxas sendo registradas em Manaus (8,4%), Fortaleza (9,6%) e Macapá (9,9%).

Diante desse cenário preocupante, o psicólogo e professor na Estácio, Ady Santos, ressalta que o alcoolismo é uma condição grave que vai além do simples consumo excessivo de álcool, caracterizando-se como uma doença crônica que afeta tanto o corpo quanto a mente. Ele destaca a importância de reconhecer os sinais de alcoolismo, como consumo compulsivo, negligência de responsabilidades e problemas legais relacionados ao álcool, e buscar ajuda especializada.

Ady enfatiza que o tratamento do alcoolismo demanda abordagens específicas, incluindo terapias psicológicas, medicamentos e apoio de grupos de ajuda mútua, destacando a necessidade de uma intervenção eficaz para lidar com esse grave problema de saúde pública.


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