Na manhã desta sexta-feira (02/02/2024), ensolarada que antecede a abertura oficial do Carnaval, as ruas que margeiam a orla entre Piatã e Itapuã transformam-se em um mar de pessoas, numa celebração que transcende o tempo. A 119ª Lavagem de Itapuã, realizada em 2024, trouxe consigo a energia vibrante de violas, bandolins e maracas, anunciando o despertar de uma das festas mais tradicionais de Salvador.
Logo às 6 horas, a Lavagem ganha vida com a lavagem das “Nativas”, um grupo formado por mulheres da comunidade, marcando 30 anos de simbolismo. O cortejo, iniciado com o chamado matinal dos moradores, segue por todo o bairro, culminando na lavagem da escadaria da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, conduzida por 250 baianas.
Jacilene Monteiro, participante há 27 anos, expressa sua paixão pela Lavagem e pelo bairro, considerando-a a melhor festa de largo de Salvador. Para Nadilson Araújo, nascido e criado em Itapuã, a festa é uma tradição que une a parte religiosa ao entretenimento, proporcionando um dia completo de celebração.
A programação cultural, composta por 26 entidades culturais, transforma a Lavagem de Itapuã em uma das maiores movimentações culturais da cidade. Blocos como “Mamãe, eu quero abacate” destacam o fortalecimento das raízes locais. Capoeiristas se reúnem em uma grande roda, mantendo viva a tradição.
A festa também homenageia figuras importantes de Itapuã, este ano reverenciando o professor Ricardo Monteiro e Terêsa Conceição Santos, do grupo As Ganhadeiras de Itapuã. Desde 2011, a Lavagem honra personalidades que marcaram a história da região.
Além da devoção e tradição, a Lavagem é uma oportunidade para os comerciantes locais, como Jaqueline Dutra, que aguarda o evento para vender suas bebidas e garantir um sustento extra. Para manter a ordem, cerca de 70 agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) estiveram presentes, orientando os vendedores.


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