Todo dia de quinta-feira (02/02/2024), o bairro do Rio Vermelho, em Salvador, torna-se o palco de uma das maiores manifestações populares dedicadas a um orixá na Bahia. A Festa de Iemanjá, que divide o pódio com o Carnaval e a Lavagem do Bonfim, representa uma tradição centenária, marcada por espiritualidade e cultura que resistem ao tempo. Vestidos predominantemente de branco e azul, uma multidão se congrega para reverenciar Iemanjá, a Rainha do Mar.
A origem da celebração remonta ao protagonismo dos pescadores locais nas primeiras décadas do século 20, quando, em 1923, relatos do jangadeiro Zequinha mencionaram uma oferenda de pescadores para a divindade das águas. Inicialmente vinculada à Festa de Nossa Senhora de Santana, a celebração a Iemanjá desvinculou-se de eventos católicos no início do século 20, seguindo seu próprio caminho.
Ao longo das décadas, a Festa de Iemanjá ganhou força, especialmente a partir da década de 60, quando artistas renomados como Caetano Veloso, Maria Bethânia e Jorge Amado a destacaram em suas obras. Hoje, o 2 de fevereiro é marcado pelos preparativos iniciados na véspera, com a alvorada às 4h do dia seguinte, culminando na entrega de oferendas em alto mar por volta das 16h.
A chegada de Iemanjá ao Brasil remonta ao comércio transatlântico de escravizados, trazendo consigo a rica tradição espiritual da tribo Iorubá. Associada ao mar, a orixá é venerada como protetora de mulheres e crianças, resistindo como símbolo de resistência e tradição cultural africana no Brasil.
Nas palavras do pescador Roberto Pantaleão, a festa, que celebra 101 anos, mantém sua intensidade e glamour, atraindo devotos de diversas partes do mundo. Para ele, a energia inexplicável da celebração é evidente no ritmo da maré, na brisa suave e no balanço das ondas, tornando Iemanjá uma presença tangível.


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