Servidão: Um contundente documentário de Renato Barbieri revela a persistência do trabalho escravo contemporâneo na Amazônia

“Abolição já! A outra não valeu” ecoa como um grito de resistência em “Servidão”, o mais recente documentário do renomado diretor Renato Barbieri, conhecido por sua obra premiada “Pureza” (2022). Com exclusividade nos cinemas a partir de 25 de janeiro, o filme mergulha no cenário do trabalho escravo contemporâneo, concentrando-se na Amazônia brasileira. A data de estreia é uma homenagem ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, celebrado há 20 anos, no domingo (28/01/2024).

Produzido pela O2 Play, braço distribuidor da O2 Filmes, “Servidão” conta com a narração da artista Negra Li e representa um registro contundente de uma das maiores tragédias sociais do Brasil. O filme dá voz aos trabalhadores rurais escravizados nas frentes de desmatamento no Norte do Brasil, assim como aos abolicionistas de diferentes perspectivas.

O diretor Renato Barbieri, da Gaya Filmes, enfatiza que, embora as condições de trabalho análogas à escravidão sejam consideradas crimes pelo Código Penal Brasileiro, a servidão persiste há cinco séculos no país, mesmo após a Lei Áurea. O filme nasce como uma peça de resistência, expondo a mecânica escravagista contemporânea e destacando como a resistência abolicionista se fortalece ao longo das décadas.

Ao trazer à tona personagens reais, como Marinaldo Soares Santos, escravizado 13 vezes e libertado em três ocasiões pelo Grupo Móvel, o documentário ilustra a realidade brutal enfrentada pelos trabalhadores. O jornalista Leonardo Sakamoto, participante do documentário, destaca a importância do filme ao fornecer informações que impulsionam ações da sociedade civil, políticos e empresários contra o trabalho escravo moderno.

Com base nos dados do Ministério do Trabalho, o documentário revela que, somente em 2023, 3.151 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão. Desde a criação dos grupos de fiscalização móvel em 1995, mais de 63 mil pessoas foram libertadas. O campo ainda lidera a lista de uso de mão de obra escrava, com destaque para o cultivo de café e plantio de cana-de-açúcar.


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