A edição de verão da aguardada Feira de Variedades, promovida pela Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia (ACEB), foi marcada por desapontamento e prejuízos para pequenos empreendedores em Salvador. A Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo (SEDUR) tomou a decisão surpreendente de cancelar o evento no Farol da Barra, mesmo com estandes já montados e autorização prévia. O impacto foi sentido por empreendedores de diversos segmentos, incluindo moda, gastronomia, artesanato e costura criativa, que se prepararam para comercializar seus produtos no fim de semana.
O cancelamento repentino, justificado pelos fiscais devido a um trio elétrico programado para o dia seguinte, deixou os expositores perplexos. A presidente da ACEB, Marinalva Nunes, expressou a necessidade de esclarecimentos e solicitou uma reunião urgente com o Secretário da SEDUR. Outras instituições envolvidas pretendem se unir ao apelo por explicações.
Pequenos empresários, como o casal Ramon Porto e Liliane Queiroz, que investiram na produção extra para atender à demanda da feira, agora enfrentam não apenas prejuízos financeiros, mas também o desafio de encontrar alternativas para escoar seus produtos. A microempreendedora Carla Carolina Cunha de Albertim compartilha a frustração, descrevendo a forma autoritária do desmonte como equivalente a ser assaltada, destacando a falta de consideração pela preparação e autorização já concedida.
Denise Conceição dos Anjos, expositora há dois anos, ressalta não apenas os danos financeiros, mas o prejuízo emocional causado pelo tratamento dispensado aos empreendedores. O evento, além de gerar renda, representa um cartão postal da cidade, promovendo a identidade e hospitalidade baianas.
O cancelamento seletivo, visto que a Primeira Parada do Orgulho de Pessoas com Deficiência foi permitida, levanta questionamentos sobre a transparência e organização da programação anual da SEDUR. Marinalva Nunes enfatiza a necessidade de um cronograma claro para evitar situações semelhantes no futuro.
A Feira de Variedades não apenas comercializa produtos de qualidade, mas também serve como uma fonte de renda inclusiva para uma variedade de empreendedores, incluindo pessoas com deficiência, vítimas de violência doméstica, artistas de rua e diversos outros públicos. O projeto, inicialmente concebido para enfrentar desafios econômicos, tornou-se um símbolo de diversidade, inclusão e resistência.


Deixe um comentário