O início de 2024 está marcado pela atuação simultânea de dois fenômenos climáticos opostos, El Niño e La Niña, desencadeando secas e chuvas intensas não apenas no Brasil, mas também em várias áreas tropicais do planeta. O climatologista Álvaro Silva, representante da Organização Meteorológica Mundial (OMM), destaca a recorrência de fenômenos extremos este ano, indicando a iminência de um período prolongado de calor excessivo.
Em uma entrevista à ONU News, Silva aborda a intensidade crescente e a frequência de eventos extremos, resultado não apenas dos padrões El Niño, mas também de outros fatores climáticos. Ele enfatiza a tendência de longo prazo de aquecimento global, contribuindo significativamente para a amplificação desses fenômenos. Segundo o climatologista, o El Niño atual agravou a seca na Amazônia, causando precipitações excessivas no sul do Brasil e na bacia do Rio Paraná, além de afetar a África Oriental com chuvas abundantes após anos de seca, devido ao fenômeno La Niña.
Ao analisar o impacto global desses eventos climáticos, Silva observa que os choques climáticos estão se agravando em escala global, sinalizando a necessidade urgente de medidas de mitigação. Em janeiro deste ano, a OMM confirmou que a temperatura global média anual ultrapassou os níveis pré-industriais em 1,45°C, estabelecendo novos recordes de temperatura entre junho e dezembro de 2023.
O cientista ressalta a importância dos sistemas de alerta precoce diante da possível intensificação de eventos extremos. Ele destaca que em anos anteriores ao desenvolvimento do El Niño, o ano subsequente foi mais quente, indicando uma expectativa de aumento da temperatura média global em 2024.
A OMM convoca os países a adotarem medidas rápidas de mitigação e a assumirem compromissos políticos para atingir as metas climáticas estabelecidas no Acordo de Paris.
*Com informações da Nações Unidas.


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