A Organização Meteorológica Mundial (OMM) oficializou que o ano de 2023 se tornou o mais quente já registrado, aproximando-se perigosamente do marco crítico de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, definido pelo Acordo de Paris. Seis conjuntos de dados internacionais consolidados pela OMM confirmam que a temperatura média anual global atingiu 1,45 ± 0,12 °C, estabelecendo novos recordes mensais nos meses de junho a dezembro. A foto do fotógrafo John Towner ilustra a preocupante situação.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, alertou para os impactos socioeconômicos devastadores que podem ocorrer caso a tendência continue. Ela destacou a urgência de ações drásticas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e acelerar a transição para fontes de energia renováveis. O possível cenário de 2024 ser ainda mais quente é atribuído à mudança do arrefecimento do La Niña para o aquecimento do El Niño.
Desde 1980, cada década tem sido mais quente que a anterior, sendo os últimos nove anos os mais quentes já registrados. A OMM enfatizou que as alterações climáticas estão ligadas inequivocamente às atividades humanas, e a crise climática está exacerbando a desigualdade e afetando todos os aspectos do desenvolvimento sustentável.
A ONU, representada pelo secretário-geral António Guterres, alertou que as ações humanas estão “queimando a Terra” e instou à necessidade de ações imediatas e ambiciosas para evitar o pior da catástrofe climática. O Relatório Provisório sobre o Estado do Clima Global em 2023 revelou recordes em várias áreas, desde temperaturas da superfície do mar até extensão do gelo marinho antártico.
O monitoramento contínuo das temperaturas globais é apenas um indicador do clima em transformação, com outros indicadores-chave incluindo concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa, calor e acidificação dos oceanos, nível do mar, extensão do gelo marinho e equilíbrio da massa dos glaciares. O relatório final sobre o Estado do Clima Global 2023, a ser lançado em março de 2024, fornecerá detalhes sobre os impactos socioeconômicos nas áreas de segurança alimentar, deslocamento e saúde.


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