Na última terça-feira (21/11/2023), teve início em Salvador a quarta edição do Festival Internacional do Audiovisual Negro (Fianb), uma iniciativa inédita na cidade que se estenderá até sábado (25/11). Inserido na programação do Salvador Capital Afro, o evento, patrocinado pela Prefeitura através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), oferece uma programação intensa em diversos pontos culturais da capital baiana.
O Fianb, promovido pela Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (Apan), teve sua abertura no Cinema Glauber Rocha, na Praça Castro Alves. O festival conta com a participação de renomados estudiosos, como a historiadora e curadora Bel Melo, e o mestre em Geografia e doutor em Antropologia, Alex Ratts, que iniciaram os debates na cerimônia inaugural.
O secretário da Secult, Pedro Tourinho, enfatizou o compromisso da Prefeitura em impulsionar o audiovisual como vetor de crescimento econômico para a população negra. Ele destacou a importância de não apenas retratar a população negra nas histórias, mas também garantir benefícios econômicos para ela. O plano é que, em três anos, o audiovisual seja um dos principais segmentos da economia da cidade.
Durante o evento, os estudiosos abordaram o trabalho da historiadora e militante Beatriz Nascimento, propondo uma reflexão sobre a produção audiovisual negra. Alex Ratts analisou as teorias da obra Ôrí (1989) de Beatriz Nascimento, destacando a busca pela representação positiva da imagem negra nas narrativas. Bel Melo lançou questionamentos provocativos, instigando o setor do audiovisual a repensar caminhos para novas narrativas negras.
A presidente da Apan, Tatiana Carvalho Costa, ressaltou a urgência de fortalecer intervenções no imaginário coletivo, colocando em diálogo a memória e presença afrodiaspóricas e africanas. O festival se propõe a ser um espaço de discussão e proposição que reposiciona o cinema nacional a partir das perspectivas dos cinemas negros em todo o Brasil, destacando que “cinema negro é cinema brasileiro”.
Além das discussões, o evento conta com o “Políticas do Olhar”, espaço de diálogo que recebe curadores internacionais para debater métodos e processos curatoriais, ressaltando a importância do olhar na descolonização do cinema.


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