A conscientização da população sobre a importância do seguro como um investimento tem aumentado nos últimos anos. Essa mudança de mentalidade pode ser atribuída tanto à evolução do comportamento da sociedade quanto à maior proximidade do mercado segurador com os brasileiros. No entanto, apesar desse progresso, um alerta persiste para corretoras e seguradoras, uma vez que uma pesquisa realizada pela Faculdade Getúlio Vargas (FGV) aponta que nove em cada dez brasileiros ainda não possuem seguro, o que representa mais de 176 milhões de pessoas desprotegidas. Desses, cerca de 60% revelaram que o fator financeiro é o principal impedimento para a contratação de uma apólice.
Essa mesma realidade é evidenciada no ramo de seguros automotivos. Embora seja um dos ramos de seguros mais populares no Brasil, aproximadamente 70% dos veículos no país não possuem seguro, um número que pode chegar a 80%, de acordo com a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg). Luiz Longobardi Junior, diretor Comercial, Mercado e Marketing da Lojacorr, enfatiza que essa estatística significa que a maioria dos motoristas brasileiros está circulando sem a proteção de uma seguradora, tornando-se vulneráveis financeiramente em caso de acidentes, roubos e outras situações adversas.
Os corretores de seguros também experimentam os desafios da baixa adesão. De acordo com Cristiano Fox, da Regional Corretora, uma parceira da Lojacorr, há muito a ser explorado no mercado de seguros automotivos. Ele identifica vários fatores que contribuem para a falta de adesão. Primeiramente, ele aponta a falta de cultura de prevenção e proteção como um obstáculo. A mentalidade predominante no Brasil é que o seguro é relevante apenas para veículos novos ou quando vinculado a um financiamento.
Além disso, Fox menciona questões relacionadas ao custo do seguro e à adequação dos produtos oferecidos. Manter o seguro em veículos à medida que envelhecem torna-se mais difícil, e os produtos disponíveis atualmente limitam o alcance das seguradoras entre o público que ainda não possui cobertura. Outro fator importante na falta de adesão ao seguro auto é o poder aquisitivo da população e suas prioridades financeiras. As classes de renda mais baixa muitas vezes não priorizam o seguro devido a outras despesas diárias, falta de conhecimento sobre o produto e uma série de outras despesas cotidianas que impedem a contratação de uma apólice.
Fox também observa que muitas pessoas não reconhecem a necessidade do seguro e subestimam os benefícios que ele pode oferecer. Dentro do seguro de automóveis, há uma variedade de coberturas que não apenas protegem o segurado, mas também incluem a Responsabilidade Civil, que oferece proteção contra danos a terceiros.
No entanto, Longobardi Junior enfatiza que, apesar dos desafios, o mercado de seguros automotivos no Brasil tem prosperado, especialmente em 2023. Ele destaca o aquecimento do mercado após mais de dois anos de crescimento contínuo. Além disso, o Índice de Preços do Seguro de Automóvel da Tex revelou uma redução de 1,7% no preço do seguro, mantendo uma tendência de queda nos últimos cinco meses.


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