Obesidade e fertilidade feminina: O alarmante vínculo que afeta a saúde pública

A obesidade tornou-se uma preocupação alarmante para a saúde pública no Brasil, afetando atualmente cerca de 6,7 milhões de pessoas, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Em particular, o número de casos de obesidade mórbida, classificada com índice de massa corporal (IMC) grau 3, acima de 40, mais que dobrou entre 2019 e 2022, passando de 407.589 para 863.086 pessoas. Além disso, o sobrepeso afeta cerca de 31%, ou 6,72 milhões de brasileiros, conforme o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).

A obesidade e o sedentarismo não apenas representam desafios significativos para a saúde pública, mas também estão associados a efeitos adversos precoces na saúde cardiovascular e metabólica, afetando pessoas em idades mais jovens. Alarmantemente, 48% das mulheres brasileiras enfrentam problemas de obesidade, com a metade delas em idade reprodutiva.

Pesquisas indicam que o excesso de peso afeta a capacidade reprodutiva de mulheres e homens. “A obesidade, nesse contexto, pode prejudicar não apenas as mães, mas também as gestações e os bebês. Às vezes, a obesidade pode prolongar a jornada para engravidar, tornando necessários tratamentos para combater a infertilidade após a implementação de estratégias de perda de peso adequadas”, explica a médica Isa Rocha, do IVI Salvador.

Mulheres obesas têm três vezes mais chances de sofrer de infertilidade anovulatória do que aquelas com IMC normal. Além disso, a obesidade é uma comorbidade associada a menores taxas de sucesso em tratamentos de reprodução assistida. O desequilíbrio hormonal é a principal razão pela qual a obesidade afeta a fertilidade, pois a gordura corporal influencia a síntese hormonal. Isso pode resultar na interrupção dos ciclos menstruais, amenorreia (ausência de menstruação), acne, excesso de pelos, queda de cabelo e distúrbios metabólicos.

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é outro problema hormonal relacionado à obesidade, que resulta em excesso de hormônios masculinos, como a testosterona, afetando a ovulação. O tratamento da SOP com pílulas anticoncepcionais pode temporariamente inviabilizar a gravidez. Além disso, a obesidade pode levar à ausência de ovulação e má qualidade dos óvulos, tornando a concepção natural mais difícil e aumentando as chances de aborto.

Estudos revelam que a obesidade está relacionada a óvulos menores, menor receptividade do endométrio para a implantação e menor taxa de fertilização em comparação com mulheres com peso normal. Modificar o estilo de vida através de uma dieta saudável e hábitos de vida mais equilibrados pode melhorar não apenas o bem-estar, mas também a fertilidade. No entanto, apenas um especialista em reprodução humana pode determinar com precisão a causa da infertilidade e se a perda de peso é suficiente para alcançar a gravidez, seja por meios naturais ou tratamentos de reprodução assistida.

“É essencial consultar um especialista em reprodução humana que possa reunir uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos, profissionais de educação física e nutricionistas, para fornecer a assistência adequada”, destaca a médica Isa Rocha.


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