Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em 2022 revelou que cerca de 40% dos estudantes do ensino médio no Brasil afirmaram ter sido vítimas de bullying em algum momento de suas vidas escolares. Esses dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), que analisou indicadores comparáveis dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental, em municípios das capitais, entre 2009 e 2019.
O estudo aponta um aumento significativo na incidência do bullying ao longo desse período. Em 2009, quando a pesquisa teve início, 30,9% dos estudantes relataram ter sofrido bullying, um número que subiu para 44,5% em 2015 e, posteriormente, reduziu para 40,3% em 2019, ano da última edição do levantamento.
Quando analisado o recorte por sexo, chama a atenção o fato de que as alunas foram as mais afetadas pela prática do bullying. Em 2009, 28,8% das entrevistadas relataram ter sido vítimas, número que aumentou para 45,1% em 2019. Entre os estudantes do sexo masculino, a ocorrência de bullying foi de 32% em 2009 e 35,4% em 2019.
Segundo a Lei nº 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, o bullying é caracterizado como uma forma de violência física ou psicológica, muitas vezes intencional e repetitiva, praticada por um indivíduo ou grupo contra uma ou mais pessoas, com o propósito de intimidar ou agredir, causando sofrimento e angústia nas vítimas.
A psicóloga Miriam Carvalho, que conduz pesquisas na área de saúde mental, educação e relações raciais, explica que o bullying pode ter sérias repercussões na vida dos adolescentes, levando ao desenvolvimento de ansiedade, depressão, inseguranças relacionadas à aparência e à fala, entre outros problemas. Ela destaca o papel crucial dos pais na identificação do bullying e na proteção de seus filhos.
Miriam enfatiza a importância de criar um ambiente de diálogo e acolhimento em casa, respeitando o tempo e a disposição dos adolescentes para compartilhar suas experiências. Além disso, ela destaca a necessidade de buscar suporte e estratégias de fortalecimento da saúde mental do adolescente, como a terapia.
A psicóloga enfatiza que, embora a escola seja frequentemente apontada como responsável pelo bullying, é crucial entender que a escola é apenas um dos muitos influenciadores na formação de um indivíduo. Ela argumenta que os pais desempenham um papel vital na orientação de seus filhos, promovendo um ambiente de diálogo que permita compreender as razões por trás do bullying e enfatizando que tais práticas são prejudiciais e erradas.


Deixe um comentário