Os médicos brasileiros viram um aumento de 16% em suas rendas, segundo um recente levantamento do Medscape. Embora a maioria tenha conseguido recuperar suas condições salariais e de trabalho após os impactos da pandemia de covid-19, uma desigualdade de gênero alarmante se tornou evidente: as mulheres continuam ganhando consideravelmente menos que os homens na medicina, mesmo desempenhando as mesmas funções.
A pesquisa, conduzida entre janeiro de 2022 e maio de 2023, contou com a participação de 1.711 médicos e médicas. Os resultados são baseados nas respostas de 1.204 médicos que trabalham em tempo integral. Os números destacam uma grande disparidade salarial de gênero na profissão. Em 2018, as médicas ganhavam em média 31,77% a menos do que seus colegas masculinos. Em 2022, essa diferença aumentou para 51,64%.
Outro dado preocupante revela que quase metade (48%) dos médicos entrevistados não recebem nenhum benefício trabalhista, apontando para a crescente precariedade das condições de trabalho na medicina.
Uma mudança significativa na prestação de serviços médicos é a crescente adoção da teleconsulta, com 64% dos médicos relatando oferecer esse serviço. Isso marca uma revolução na forma como os pacientes acessam cuidados médicos, embora a incorporação de outras tecnologias inovadoras, como smartwatches, ainda esteja abaixo do seu potencial, com apenas 40% dos médicos adotando essas ferramentas em suas práticas.
A pesquisa também identificou que as extensas jornadas de trabalho e as complexidades das negociações com operadoras de saúde são os principais desafios enfrentados pelos médicos. Além disso, as percepções de médicos e médicas sobre as motivações na carreira e as dificuldades enfrentadas variam consideravelmente. Enquanto 25% das mulheres consideram gratificante contribuir para um mundo melhor, apenas 15% dos homens compartilham dessa visão. Em contraste, 18% dos médicos homens priorizam a remuneração e a capacidade de seguir suas paixões, em comparação com 13% das médicas.
A pesquisa revela que, apesar dos desafios e da redução na satisfação profissional, cerca de 70% dos médicos afirmam que, se pudessem voltar atrás, escolheriam novamente a medicina como carreira. No entanto, 43% dos entrevistados não recomendariam a medicina como profissão aos filhos, indicando uma perspectiva ambivalente sobre a profissão.


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