Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) revela que em 2023, 79,3% das vendas de máquinas e equipamentos no mercado brasileiro foram realizadas com recursos próprios, ou seja, com financiamento dos compradores ou capital de giro dos vendedores. Além disso, 20 pontos percentuais dessas vendas ocorreram com pagamento à vista. O estudo, intitulado “Radiografia de Comercialização de Máquinas e Equipamentos,” foi conduzido no sábado (01/07/2023) a quinta-feira (20/07), e envolveu fabricantes de máquinas e equipamentos em todo o país.
Cristina Zanella, diretora-executiva de competitividade, economia e estatística da Abimaq, destaca que essa pesquisa evidencia a falta de apoio do mercado financeiro para as operações de venda no setor. O elevado custo das taxas de juros tem sido um problema de longa data, dificultando o financiamento de máquinas e equipamentos.
A economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Carla Beni, enfatiza a importância do setor de máquinas e equipamentos como um vetor tecnológico para toda a cadeia produtiva. No entanto, a falta de investimento e um cenário desfavorável têm prejudicado o setor, contribuindo para a diminuição da participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB).
A pesquisa identificou que o elevado custo de financiamento, a incerteza econômica e a limitação no acesso ao crédito estão entre os principais obstáculos aos investimentos em máquinas e equipamentos no Brasil. Essa situação resulta em uma menor produtividade e qualidade inferior do parque industrial do país.
Hugo Garbe, economista, explica que as máquinas frequentemente têm alto valor agregado e, portanto, o financiamento delas é complexo e dispendioso, afetando as empresas do setor.
Carla Beni ressalta que as altas taxas de juros e a falta de apoio financeiro impactam negativamente a eficiência energética e a modernização do parque industrial brasileiro.
O economista Hugo Garbe acrescenta que o setor de máquinas, apesar de representar apenas 3% do PIB, é significativo e requer mais apoio e incentivo. Ele defende que as taxas de juros precisam ser mais atrativas, abaixo de 10%, para impulsionar o crescimento desse setor no Brasil.
Carla Beni reforça a necessidade de uma política econômica robusta para o setor industrial, com taxas de juros condizentes com a realidade. Ela destaca a importância de um planejamento estratégico de longo prazo para o desenvolvimento industrial.
Cristina Zanella aponta que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já foi o principal financiador de investimentos em máquinas e equipamentos, representou apenas 10% das vendas de acordo com a pesquisa mais recente, devido às elevadas e instáveis taxas de juros.
Segundo o deputado federal Augusto Coutinho, o Brasil tem cerca de 6,5 milhões de empresas negativadas, incapazes de acessar crédito para melhorar sua produtividade e criar empregos. Ele destaca a importância de fornecer condições para essas empresas gerarem empregos e combater a pobreza no país.


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