Nos fortes do Porto da Barra, duas almas estrangeiras encontraram seu lar e deixaram um legado artístico que reverencia a cultura baiana. Os espaços culturais dedicados aos artistas Hecctor Julio Páride Bernabó, mais conhecido como Carybé, e Pierre Edouard Leopold Verger, o famoso Pierre Verger, são verdadeiros tesouros culturais da cidade. Juntos, eles emprestam suas cores e cliques às memórias e histórias da Bahia que tanto amavam.
Carybé
O argentino que se tornou soteropolitano de coração
Nascido em 1911, em Lánus, Argentina, Carybé foi um artista multifacetado que deixou sua marca na história das artes plásticas brasileiras. Inicialmente um cartunista, ele trocou o lápis pelo pincel e se apaixonou por Salvador em sua primeira visita à cidade em 1938. Mais tarde, em 1950, decidiu se estabelecer definitivamente na Bahia, onde mergulhou em sua arte, retratando a cultura, as festas e o cotidiano do povo baiano.
O Espaço Carybé de Artes, no Forte São Diogo, é uma homenagem a esse artista tão inspirador. Com mais de 500 obras digitalizadas, o espaço oferece uma experiência lúdica e interativa, permitindo que os visitantes conheçam a biografia do artista e se sintam imersos em suas pinturas e murais.
Pierre Verger
O francês apaixonado pelo povo baiano
Em 1946, Pierre Verger chegou a Salvador e encontrou sua paixão pela história, cultura e religiões de matrizes africanas. Suas fotografias retratam o cotidiano, os terreiros e os trabalhadores baianos, tornando-se um especialista na cultura afro-brasileira e diáspora africana.
O Espaço Pierre Verger de Fotografia Baiana, localizado no Forte Santa Maria, preserva seu legado fotográfico, incluindo mais de 62 mil negativos e uma extensa biblioteca. O espaço é interativo e tecnológico, permitindo que os visitantes mergulhem nas fotografias do local e compreendam a cultura e a história da Bahia.
Amizade que transcende fronteiras
Carybé e Verger não apenas compartilharam uma paixão pela Bahia, mas também uma amizade que transcendeu fronteiras. Junto com o escritor Jorge Amado, eles formaram os “Obás da Bahia” e frequentavam o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, onde exerciam o cargo de Obá, representando os ministros de Xangô no candomblé.
A amizade e colaboração artística entre os dois artistas rendeu frutos que enriqueceram a cultura baiana. Além disso, eles também foram parceiros de Dorival Caymmi, outro grande nome da cultura brasileira.
Revitalização cultural e turística
Desde 2016, o Espaço Carybé de Artes e o Espaço Pierre Verger de Fotografia Baiana são administrados pela Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult). A supervisora dos equipamentos culturais, Simone Lopes, enfatiza a importância de dinamizar esses espaços e torná-los atrativos para a população e turistas.
A iniciativa tem sido bem-sucedida, com agendamentos e atividades temáticas pontuais, aproximando a sociedade desses locais culturais. Além disso, os espaços recebem visitas de escolas públicas e particulares, e o projeto Visita Azul traz crianças no espectro autista para conhecer as exposições.
Resgate do passado, preservação do presente
Os Espaços Carybé e Pierre Verger não são apenas museus estáticos, mas sim ambientes dinâmicos que resgatam o passado, preservam o presente e abraçam o futuro. A tecnologia e interatividade permitem aos visitantes vivenciar a cultura baiana de forma imersiva, como experimentar ser um personagem 3D de Carybé ou explorar os registros fotográficos de Verger.
A preservação do legado desses grandes artistas é um tributo à riqueza cultural e religiosa da Bahia, contribuindo para que essa herança seja apreciada pelas gerações atuais e futuras.


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