Levantamento do Sebrae mostra que os microempreendedores individuais (MEIs) têm uma alta taxa de mortalidade empresarial, com 29% encerrando atividades após cinco anos. Entre os principais fatores que contribuem para o fechamento estão a gestão deficitária e a falta de planejamento adequado. Segundo a pesquisa, 17% dos entrevistados afirmam não ter feito nenhum planejamento prévio. Em contrapartida, as empresas que sobreviveram demonstraram maior proatividade na gestão de seus negócios.
O gerente do Sebrae, Ênio Pinto, enfatiza a importância da separação entre contas pessoais e empresariais para o sucesso dos microempreendedores. “Toda empresa minimamente organizada, com planilhas de custos estruturadas, permite tomar decisões gerenciais com base na performance real da empresa. A mistura de contas pessoais e empresariais impede a apuração precisa de lucro e a obtenção de informações necessárias para a tomada de decisões”, explica Pinto.
Karen Mascarenhas, professora de MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ressalta que muitos empreendedores acabam assumindo despesas maiores do que as receitas e não conseguem identificar o problema a tempo de evitar prejuízos. “Um erro comum é gastar mais nas contas pessoais do que o lucro líquido da empresa, o que gera descontrole e ineficiência”, afirma Mascarenhas.
Laísla de Araújo, microempreendedora individual que atua como fotógrafa em Brasília desde 2017, compartilha sua experiência de aprendizado. Inicialmente, ela não separava as contas pessoais das empresariais, mas, desde 2022, passou a utilizar uma conta jurídica. “Eu defini um valor para ser meu salário, transferido da conta da empresa para mim, e o restante permanece na conta da empresa para reinvestimento”, conta Araújo.
O gerente do Sebrae, Ênio Pinto, fornece orientações práticas para a separação entre pessoa física e jurídica. “É fundamental ter planilhas distintas e contas bancárias separadas para pessoa física e jurídica, permitindo a avaliação da viabilidade do negócio e a tomada de decisões baseadas em dados claros”, aconselha Pinto.
Karen Mascarenhas também destaca a importância da contabilidade separada. “Uma contabilidade segregada oferece uma visão clara do faturamento e do lucro, facilitando o planejamento de custos e investimentos”, observa a professora da FGV.
Além da gestão financeira, é necessário considerar a tributação diferenciada entre pessoa física e jurídica. O MEI, enquadrado no Simples Nacional, paga um valor fixo mensal que garante benefícios previdenciários. Eduardo Maróstica, professor de MBAs da FGV, lembra que o microempreendedor individual deve entregar duas declarações anuais: a Declaração Anual do Simples Nacional e a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, ambas com prazo final na sexta-feira (31/05/2024).
Para os microempreendedores que buscam aprimorar a gestão de seus negócios, o Sebrae promove, nesta quarta-feira (22/05), o dia D da Semana do MEI em todo o país. No Distrito Federal, a ação ocorre no Espaço do Empreendedor, na praça ao lado da Feira Central de Ceilândia, com a presença de autoridades como o presidente do Sebrae, Décio Lima, o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. A programação da Semana do MEI, com o tema “Chega junto com o Sebrae”, oferece atividades presenciais e online, incluindo palestras, oficinas práticas, cursos e oportunidades de networking.
Ênio Pinto explica que a Semana do MEI visa profissionalizar a condução dos pequenos empreendedores, abordando temas como finanças, planejamento e vendas. “Nosso objetivo é atualizar o conhecimento dos empreendedores para aumentar as chances de sucesso de seus negócios”, conclui Pinto. Detalhes e a programação completa estão disponíveis no site sebrae.com.br/semanadomei.
Semana do MEI é oportunidade para capacitar e profissionalizar pequenos negócios
O Brasil possui 15,7 milhões de microempreendedores individuais, e eventos como a Semana do MEI são fundamentais para a capacitação e profissionalização desses pequenos negócios, oferecendo suporte e orientação para melhorar a gestão e garantir a sustentabilidade das empresas.


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